Stone Enfrenta Controvérsia: Demissões Massivas e Ação Sindical na Fintech

A Stone demitiu mais de 300 funcionários, alegando ajuste estrutural. O Sindpd-SP classifica como demissão em massa, move ação judicial e exige reintegração e indenizações.

Stone Enfrenta Controvérsia: Demissões Massivas e Ação Sindical na Fintech Foto: Imagem gerada por IA

A Stone, gigante do setor de pagamentos e serviços financeiros digitais, encontra-se no centro de uma polêmica após a demissão de mais de 300 funcionários na última terça-feira. Os desligamentos, que representam aproximadamente 3% do seu quadro de cerca de 11 a 12 mil colaboradores, foram justificados pela companhia como parte de um "ajuste pontual em sua estrutura", visando simplificação e ganho de eficiência. A fintech assegura que sua operação permanece inalterada para clientes e parceiros.

Contrariando a narrativa da empresa, o Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo (Sindpd-SP) classificou os cortes como uma "demissão em massa", repudiando veementemente a conduta da Stone. A entidade sindical argumenta que as dispensas ocorreram de forma surpreendente e desrespeitosa durante o processo de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da categoria, acusando a empresa de prática antissindical. O Sindpd-SP destaca que essa medida fragiliza o ambiente de negociação e contraria o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a necessidade de negociação prévia em casos de demissões coletivas.

Diante da situação, o Sindpd-SP, em conjunto com a Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação (Fenati), protocolou uma ação civil coletiva contra as empresas do grupo Stone, incluindo Buy4, Pagar.me, TAG e Stone Cartões. Entre os pedidos à Justiça do Trabalho, estão a reintegração imediata dos funcionários demitidos, a invalidação dos cortes realizados em março, e a proibição de futuras demissões coletivas sem a devida negociação sindical. Além disso, a ação busca indenizações por dano moral, tanto individual (equivalente a cinco salários contratuais por trabalhador) quanto coletivo (sugerindo R$ 10 mil por funcionário para o Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT), sublinhando os amplos impactos sociais e econômicos de tais desligamentos.

É relevante notar que os desligamentos ocorrem após a Stone registrar um lucro trimestral de R$ 707 milhões no período encerrado em dezembro, um aumento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse contexto financeiro robusto adiciona uma camada de complexidade ao debate sobre a real necessidade e justificativa para os cortes, levantando questionamentos sobre as responsabilidades corporativas e o respeito aos direitos trabalhistas no efervescente setor de tecnologia.

Fonte original: https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2026/03/12/stone-demite-mais-de-300-funcionarios-e-sindicato-fala-em-demissao-em-massa.ghtml