O Lado Sombrio do Scroll: Redes Sociais e a Ascensão da Misoginia na Geração Z
Misoginia digital em ascensão: Tendências virais e estudos mostram como redes sociais moldam atitudes violentas na Geração Z, exigindo respostas de plataformas e legisladores.
Foto: Imagem gerada por IA As redes sociais, pilares da comunicação moderna, são cada vez mais apontadas como epicentros de um fenômeno preocupante: a ascensão da misoginia digital. Recentemente, a trend "Caso ela diga não", que viralizou no TikTok com vídeos incitando violência contra mulheres em caso de rejeição, acendeu um alerta para as autoridades brasileiras, levando a uma investigação da Polícia Federal. Embora o TikTok tenha agido para remover o conteúdo, este episódio é apenas a ponta do iceberg, expondo como plataformas digitais podem ser instrumentalizadas para disseminar discursos de ódio e fomentar comportamentos violentos, moldando negativamente a percepção de uma nova geração.
Um estudo global da Ipsos e King's College de Londres sublinha essa preocupação, revelando que homens da Geração Z (nascidos entre 1996 e 2012) são significativamente mais propensos a acreditar que esposas devem "obedecer" seus maridos, em comparação com gerações anteriores. Especialistas, como a professora Heejung Chung, do King's College, não hesitam em atribuir um papel "enorme" às redes sociais nessa regressão de atitudes. Influenciadores e comunidades online, frequentemente associadas à chamada "machosfera", exploram frustrações e promovem narrativas que reafirmam a dominância masculina, expondo jovens a "níveis chocantes de misoginia" que, infelizmente, se traduzem em comportamentos offline.
Essa dinâmica online não afeta apenas os homens; também direciona mulheres a ideais tradicionais de feminilidade, por vezes subservientes. Enquanto a percepção pública sugere que a igualdade de gênero já foi longe demais, a realidade demonstra que mulheres ainda enfrentam discriminação, violência e desigualdade em diversos níveis. Diante desse cenário complexo, há um movimento crescente por parte dos legisladores para combater a misoginia digital. Projetos de lei no Congresso brasileiro buscam criminalizar a misoginia e a disseminação de conteúdos "red pill", propondo incluí-los na Lei do Racismo. Essas iniciativas refletem a urgência de adaptar o arcabouço legal para enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais interconectado, onde o virtual tem impactos muito reais.
Fonte original: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/03/11/caso-ela-diga-nao-como-redes-sociais-expoem-usuarios-a-niveis-chocantes-de-misoginia-segundo-pesquisa-global.ghtml